quinta-feira, 20 de setembro de 2007

A Revolta de Aragarças.

O Constellation PP-PCR “Bandeirantes Domingos Barbosa”, Vôo PAB 246 para Belém-PA-Brasil da Panair do Brasil havia decolado dia 2/12/1959 da pista 20 do Aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro–RJ-Brasil.

Eram passageiros o presidente do Banco da Amazônia, políticos e vários jornalistas que iam fazer a cobertura da inauguração da estrada Belém-Brasília. Como fiscal de rota, viajava o Major Aviador Éber Teixeira Pinto.

Os tripulantes eram o Cmte Mário Borges, o Co-piloto Gilberto Cavedagne, o Mecânico de vôo Jean Louis Bourdon, o Rádio-operador Pedro Dantas e os Comissários Átila e Lourdes. Como tripulante-extras, viajavam os comandantes Sucasas e um comissário, ambos da base de Belém.

Na Manhã de 3/12/1959 deixou de se comunicar com a companhia e com os órgãos de Controle de Tráfego Aéreo. Sua última comunicação fora reportando a posição Barreiras-Bahia-BA. A Panair do Brasil solicitou providências ao Ministério da Aeronáutica para que o Serviço de Busca e Salvamento - SAR fosse acionado.

O seqüestrador Major-Aviador Teixeira Pinto de arma em punho forçou o Cmte a desviar-se da rota e pousar em Aragarças-GO-Brasil, precisavam da aeronave para o movimento revoltoso que estavam deflagrando no país. Embora em dificuldade com as cartas de navegação, o comandante Mário tomou a proa para Aragarças, aonde chegaram ainda à noite. O Constellation PP-PCR ficou sobrevoando em órbita a pista até o sol nascer e até o último avião pousar. Daí em diante, as notícias não pararam de chegar, os passageiros jornalistas haviam entrado em contato com os periódicos em que trabalhavam. Acreditava-se que acontecera o primeiro sequestro de um avião comercial brasileiro.

O jornalista do Comitê de Imprensa do Senado Federal Italo de Saldanha da Gama com grande coragem e estratégia conseguiu, em uma casa modesta com rádio amador e conseguiu eliminar uma falsa Revolução no Brasil.
Estávamos próximos dos últimos dias do Senado Federal no Rio de Janeiro e tal acontecimento iria entristecer a todos nós. Porém ao voltar ao Rio de Janeiro fomos homenageados pelo Vice-Presidente da República e o presidente do Senado Federal, João Goulart e muitos Senadores.

O Presidente Juscelino Kubitschek, pessoalmente, desejou conhecer-me e ao abraçar-me, elogiou meu gesto, pelo ato tão significativo, e ao mesmo tempo, corajoso e patriótico, para toda a Nação Brasileira.

A Rebelião de Aragarças foi, portanto, vencida, por um simples jornalista - repórter - abnegado, e, cumpridor de seus afazeres.
Contribuição deWellington Faria Santos (Consultor de Aviação)

Um comentário:

Juliana disse...

O comandante Mario Borges era meu avô ... que lindo que achei alguma coisa falando dele por aqui.